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sexta-feira, 8 de maio de 2026

Jó 12

 ¹ Então Jó respondeu, dizendo:
² Na verdade, vós sois o povo, e convosco morrerá a sabedoria.
³ Também eu tenho entendimento como vós, e não vos sou inferior; e quem não sabe tais coisas como essas?
⁴ Eu sou motivo de riso para os meus amigos; eu, que invoco a Deus, e ele me responde; o justo e perfeito serve de zombaria.
⁵ Tocha desprezível é, na opinião do que está descansado, aquele que está pronto a vacilar com os pés.
⁶ As tendas dos assoladores têm descanso, e os que provocam a Deus estão seguros; nas suas mãos Deus lhes põe tudo.
⁷ Mas, pergunta agora aos animais, e cada um deles te ensinará; e às aves dos céus, e elas te farão saber;
⁸ Ou fala com a terra, e ela te ensinará; até os peixes do mar te contarão.
⁹ Quem não entende, por todas estas coisas, que a mão do Senhor fez isto?
¹⁰ Na sua mão está a alma de tudo quanto vive, e o espírito de toda a carne humana.
¹¹ Porventura o ouvido não provará as palavras, como o paladar prova as comidas?
¹² Com os idosos está a sabedoria, e na longevidade o entendimento.
¹³ Com ele está a sabedoria e a força; conselho e entendimento tem.
¹⁴ Eis que ele derruba, e ninguém há que edifique; prende um homem, e ninguém há que o solte.
¹⁵ Eis que ele retém as águas, e elas secam; e solta-as, e elas transtornam a terra.
¹⁶ Com ele está a força e a sabedoria; seu é o que erra e o que faz errar.
¹⁷ Aos conselheiros leva despojados, e aos juízes faz desvairar.
¹⁸ Solta a autoridade dos reis, e ata o cinto aos seus lombos.
¹⁹ Aos sacerdotes leva despojados, aos poderosos transtorna.
²⁰ Aos acreditados tira a fala, e tira o entendimento aos anciãos.
²¹ Derrama desprezo sobre os príncipes, e afrouxa o cinto dos fortes.
²² Das trevas descobre coisas profundas, e traz à luz a sombra da morte.
²³ Multiplica as nações e as faz perecer; dispersa as nações, e de novo as reconduz.
²⁴ Tira o entendimento aos chefes dos povos da terra, e os faz vaguear pelos desertos, sem caminho.
²⁵ Nas trevas andam às apalpadelas, sem terem luz, e os faz cambalear como ébrios

Jó 12:1-25

Jó 11

 ¹ Então respondeu Zofar, o naamatita, e disse:
² Porventura não se dará resposta à multidão de palavras? E o homem falador será justificado?
³ Às tuas mentiras se hão de calar os homens? E zombarás tu sem que ninguém te envergonhe?
⁴ Pois dizes: A minha doutrina é pura, e limpo sou aos teus olhos.
⁵ Mas na verdade, quem dera que Deus falasse e abrisse os seus lábios contra ti!
⁶ E te fizesse saber os segredos da sabedoria, que é multíplice em eficácia; sabe, pois, que Deus exige de ti menos do que merece a tua iniquidade.
⁷ Porventura alcançarás os caminhos de Deus, ou chegarás à perfeição do Todo-Poderoso?
⁸ Como as alturas dos céus é a sua sabedoria; que poderás tu fazer? É mais profunda do que o inferno, que poderás tu saber?
⁹ Mais comprida é a sua medida do que a terra, e mais larga do que o mar.
¹⁰ Se ele passar, aprisionar, ou chamar a juízo, quem o impedirá?
¹¹ Porque ele conhece aos homens vãos, e vê o vício; e não o terá em consideração?
¹² Mas o homem vão é falto de entendimento; sim, o homem nasce como a cria do jumento montês.
¹³ Se tu preparares o teu coração, e estenderes as tuas mãos para ele;
¹⁴ Se há iniquidade na tua mão, lança-a para longe de ti e não deixes habitar a injustiça nas tuas tendas.
¹⁵ Porque então o teu rosto levantarás sem mácula; e estarás firme, e não temerás.
¹⁶ Porque te esquecerás do cansaço, e lembrar-te-ás dele como das águas que já passaram.
¹⁷ E a tua vida mais clara se levantará do que o meio-dia; ainda que haja trevas, será como a manhã.
¹⁸ E terás confiança, porque haverá esperança; olharás em volta e repousarás seguro.
¹⁹ E deitar-te-ás, e ninguém te espantará; muitos suplicarão o teu favor.
²⁰ Porém os olhos dos ímpios desfalecerão, e perecerá o seu refúgio; e a sua esperança será o expirar da alma.

Jó 11:1-20

Jó 10

 ¹ A minha alma tem tédio da minha vida; darei livre curso à minha queixa, falarei na amargura da minha alma.
² Direi a Deus: Não me condenes; faze-me saber por que contendes comigo.
³ Parece-te bem que me oprimas, que rejeites o trabalho das tuas mãos e resplandeças sobre o conselho dos ímpios?
⁴ Tens tu porventura olhos de carne? Vês tu como vê o homem?
⁵ São os teus dias como os dias do homem? Ou são os teus anos como os anos de um homem,
⁶ Para te informares da minha iniquidade, e averiguares o meu pecado?
⁷ Bem sabes tu que eu não sou iníquo; todavia ninguém há que me livre da tua mão.
⁸ As tuas mãos me fizeram e me formaram completamente; contudo me consomes.
⁹ Peço-te que te lembres de que como barro me formaste e me farás voltar ao pó.
¹⁰ Porventura não me vazaste como leite, e como queijo não me coalhaste?
¹¹ De pele e carne me vestiste, e de ossos e nervos me teceste.
¹² Vida e misericórdia me concedeste; e o teu cuidado guardou o meu espírito.
¹³ Porém estas coisas as ocultaste no teu coração; bem sei eu que isto esteve contigo.
¹⁴ Se eu pecar, tu me observas; e da minha iniquidade não me escusarás.
¹⁵ Se for ímpio, ai de mim! E se for justo, não levantarei a minha cabeça; farto estou da minha ignomínia; e vê qual é a minha aflição,
¹⁶ Porque se vai crescendo; tu me caças como a um leão feroz; tornas a fazer maravilhas para comigo.
¹⁷ Tu renovas contra mim as tuas testemunhas, e multiplicas contra mim a tua ira; reveses e combate estão comigo.
¹⁸ Por que, pois, me tiraste da madre? Ah! Se então tivera expirado, e olho nenhum me visse!
¹⁹ Então eu teria sido como se nunca fora; e desde o ventre seria levado à sepultura!
²⁰ Porventura não são poucos os meus dias? Cessa, pois, e deixa-me, para que por um pouco eu tome alento.
²¹ Antes que eu vá para o lugar de que não voltarei, à terra da escuridão e da sombra da morte;
²² Terra escuríssima, como a própria escuridão, terra da sombra da morte e sem ordem alguma, e onde a luz é como a escuridão.

Jó 10:1-22

Jó 9

 ¹ Então Jó respondeu, dizendo:
² Na verdade sei que assim é; porque, como se justificaria o homem para com Deus?
³ Se quiser contender com ele, nem a uma de mil coisas lhe poderá responder.
⁴ Ele é sábio de coração, e forte em poder; quem se endureceu contra ele, e teve paz?
⁵ Ele é o que remove os montes, sem que o saibam, e o que os transtorna no seu furor.
⁶ O que sacode a terra do seu lugar, e as suas colunas estremecem.
⁷ O que fala ao sol, e ele não nasce, e sela as estrelas.
⁸ O que sozinho estende os céus, e anda sobre os altos do mar.
⁹ O que fez a Ursa, o Órion, e o Sete-Estrelo, e as recâmaras do sul.
¹⁰ O que faz coisas grandes e inescrutáveis; e maravilhas sem número.
¹¹ Eis que ele passa por diante de mim, e não o vejo; e torna a passar perante mim, e não o sinto.
¹² Eis que arrebata a presa; quem lha fará restituir? Quem lhe dirá: Que é o que fazes?
¹³ Deus não revogará a sua ira; debaixo dele se encurvam os auxiliadores soberbos.
¹⁴ Quanto menos lhe responderia eu, ou escolheria diante dele as minhas palavras!
¹⁵ Porque, ainda que eu fosse justo, não lhe responderia; antes ao meu Juiz pediria misericórdia.
¹⁶ Ainda que chamasse, e ele me respondesse, nem por isso creria que desse ouvidos à minha voz.
¹⁷ Porque me quebranta com uma tempestade, e multiplica as minhas chagas sem causa.
¹⁸ Não me permite respirar, antes me farta de amarguras.
¹⁹ Quanto às forças, eis que ele é o forte; e, quanto ao juízo, quem me citará com ele?
²⁰ Se eu me justificar, a minha boca me condenará; se for perfeito, então ela me declarará perverso.
²¹ Se for perfeito, não estimo a minha alma; desprezo a minha vida.
²² A coisa é esta; por isso eu digo que ele consome ao perfeito e ao ímpio.
²³ Quando o açoite mata de repente, então ele zomba da prova dos inocentes.
²⁴ A terra é entregue nas mãos do ímpio; ele cobre o rosto dos juízes; se não é ele, quem é, logo?
²⁵ E os meus dias são mais velozes do que um correio; fugiram, e não viram o bem.
²⁶ Passam como navios veleiros; como águia que se lança à comida.
²⁷ Se eu disser: Eu me esquecerei da minha queixa, e mudarei o meu aspecto e tomarei alento,
²⁸ Receio todas as minhas dores, porque bem sei que não me terás por inocente.
²⁹ E, sendo eu ímpio, por que trabalharei em vão?
³⁰ Ainda que me lave com água de neve, e purifique as minhas mãos com sabão,
³¹ Ainda me submergirás no fosso, e as minhas próprias vestes me abominarão.
³² Porque ele não é homem, como eu, a quem eu responda, vindo juntamente a juízo.
³³ Não há entre nós árbitro que ponha a mão sobre nós ambos.
³⁴ Tire ele a sua vara de cima de mim, e não me amedronte o seu terror.
³⁵ Então falarei, e não o temerei; porque não sou assim em mim mesmo.

Jó 9:1-35

Jó 8

 ¹ Então respondendo Bildade o suíta, disse:
² Até quando falarás tais coisas, e as palavras da tua boca serão como um vento impetuoso?
³ Porventura perverteria Deus o direito? E perverteria o Todo-Poderoso a justiça?
⁴ Se teus filhos pecaram contra ele, também ele os lançou na mão da sua transgressão.
⁵ Mas, se tu de madrugada buscares a Deus, e ao Todo-Poderoso pedires misericórdia;
⁶ Se fores puro e reto, certamente logo despertará por ti, e restaurará a morada da tua justiça.
⁷ O teu princípio, na verdade, terá sido pequeno, porém o teu último estado crescerá em extremo.
⁸ Pois, eu te peço, pergunta agora às gerações passadas; e prepara-te para a inquirição de seus pais.
⁹ Porque nós somos de ontem, e nada sabemos; porquanto nossos dias sobre a terra são como a sombra.
¹⁰ Porventura não te ensinarão eles, e não te falarão, e do seu coração não tirarão palavras?
¹¹ Porventura cresce o junco sem lodo? Ou cresce a espadana sem água?
¹² Estando ainda no seu verdor, ainda que não cortada, todavia antes de qualquer outra erva se seca.
¹³ Assim são as veredas de todos quantos se esquecem de Deus; e a esperança do hipócrita perecerá.
¹⁴ Cuja esperança fica frustrada; e a sua confiança será como a teia de aranha.
¹⁵ Encostar-se-á à sua casa, mas ela não subsistirá; apegar-se-á a ela, mas não ficará em pé.
¹⁶ Ele é viçoso perante o sol, e os seus renovos saem sobre o seu jardim;
¹⁷ As suas raízes se entrelaçam, junto à fonte; para o pedregal atenta.
¹⁸ Se Deus o consumir do seu lugar, negá-lo-á este, dizendo: Nunca te vi!
¹⁹ Eis que este é a alegria do seu caminho, e outros brotarão do pó.
²⁰ Eis que Deus não rejeitará ao reto; nem toma pela mão aos malfeitores;
²¹ Até que de riso te encha a boca, e os teus lábios de júbilo.
²² Os que te odeiam se vestirão de confusão, e a tenda dos ímpios não existirá mais.

Jó 8:1-22

Jó 7

 ¹ Porventura não tem o homem guerra sobre a terra? E não são os seus dias como os dias do assalariado?
² Como o servo que suspira pela sombra, e como o assalariado que espera pela sua paga,
³ Assim me deram por herança meses de vaidade; e noites de trabalho me prepararam.
⁴ Deitando-me a dormir, então digo: Quando me levantarei? Mas comprida é a noite, e farto-me de me revolver na cama até à alva.
⁵ A minha carne se tem vestido de vermes e de torrões de pó; a minha pele está gretada, e se fez abominável.
⁶ Os meus dias são mais velozes do que a lançadeira do tecelão, e acabam-se, sem esperança.
⁷ Lembra-te de que a minha vida é como o vento; os meus olhos não tornarão a ver o bem.
⁸ Os olhos dos que agora me veem não me verão mais; os teus olhos estarão sobre mim, porém não serei mais.
⁹ Assim como a nuvem se desfaz e passa, assim aquele que desce à sepultura nunca tornará a subir.
¹⁰ Nunca mais tornará à sua casa, nem o seu lugar jamais o conhecerá.
¹¹ Por isso não reprimirei a minha boca; falarei na angústia do meu espírito; queixar-me-ei na amargura da minha alma.
¹² Sou eu porventura o mar, ou a baleia, para que me ponhas uma guarda?
¹³ Dizendo eu: Consolar-me-á a minha cama; meu leito aliviará a minha ânsia;
¹⁴ Então me espantas com sonhos, e com visões me assombras;
¹⁵ Assim a minha alma escolheria antes a estrangulação; e antes a morte do que a vida.
¹⁶ A minha vida abomino, pois não viveria para sempre; retira-te de mim; pois vaidade são os meus dias.
¹⁷ Que é o homem, para que tanto o engrandeças, e ponhas nele o teu coração,
¹⁸ E cada manhã o visites, e cada momento o proves?
¹⁹ Até quando não apartarás de mim, nem me largarás, até que engula a minha saliva?
²⁰ Se pequei, que te farei, ó Guarda dos homens? Por que fizeste de mim um alvo para ti, para que a mim mesmo me seja pesado?
²¹ E por que não perdoas a minha transgressão, e não tiras a minha iniquidade? Porque agora me deitarei no pó, e de madrugada me buscarás, e não existirei mais.

Jó 7:1-21

Jó 6

 ¹ Então Jó respondeu, dizendo:
² Oh! Se a minha mágoa retamente se pesasse, e a minha miséria juntamente se pusesse numa balança!
³ Porque, na verdade, mais pesada seria, do que a areia dos mares; por isso é que as minhas palavras têm sido engolidas.
⁴ Porque as flechas do Todo-Poderoso estão em mim, cujo ardente veneno suga o meu espírito; os terrores de Deus se armam contra mim.
⁵ Porventura zurrará o jumento montês junto à relva? Ou mugirá o boi junto ao seu pasto?
⁶ Ou comer-se-á sem sal o que é insípido? Ou haverá gosto na clara do ovo?
⁷ A minha alma recusa tocá-las, pois são para mim como comida repugnante.
⁸ Quem dera que se cumprisse o meu desejo, e que Deus me desse o que espero!
⁹ E que Deus quisesse quebrantar-me, e soltasse a sua mão, e me acabasse!
¹⁰ Isto ainda seria a minha consolação, e me refrigeraria no meu tormento, não me poupando ele; porque não ocultei as palavras do Santo.
¹¹ Qual é a minha força, para que eu espere? Ou qual é o meu fim, para que tenha ainda paciência?
¹² É porventura a minha força a força da pedra? Ou é de cobre a minha carne?
¹³ Está em mim a minha ajuda? Ou desamparou-me a verdadeira sabedoria?
¹⁴ Ao que está aflito devia o amigo mostrar compaixão, ainda ao que deixasse o temor do Todo-Poderoso.
¹⁵ Meus irmãos aleivosamente me trataram, como um ribeiro, como a torrente dos ribeiros que passam,
¹⁶ Que estão encobertos com a geada, e neles se esconde a neve,
¹⁷ No tempo em que se derretem com o calor, se desfazem, e em se aquentando, desaparecem do seu lugar.
¹⁸ Desviam-se as veredas dos seus caminhos; sobem ao vácuo, e perecem.
¹⁹ Os caminhantes de Tema os veem; os passageiros de Sabá esperam por eles.
²⁰ Ficam envergonhados, por terem confiado e, chegando ali, se confundem.
²¹ Agora sois semelhantes a eles; vistes o terror, e temestes.
²² Acaso disse eu: Dai-me ou oferecei-me presentes de vossos bens?
²³ Ou livrai-me das mãos do opressor? Ou redimi-me das mãos dos tiranos?
²⁴ Ensinai-me, e eu me calarei; e fazei-me entender em que errei.
²⁵ Oh! Quão fortes são as palavras da boa razão! Mas que é o que censura a vossa repreensão?
²⁶ Porventura buscareis palavras para me repreenderdes, visto que as razões do desesperado são como vento?
²⁷ Mas antes lançais sortes sobre o órfão; e cavais uma cova para o amigo.
²⁸ Agora, pois, se sois servidos, olhai para mim; e vede se minto em vossa presença.
²⁹ Voltai, pois, não haja iniquidade; tornai-vos, digo, que ainda a minha justiça aparecerá nisso.
³⁰ Há porventura iniquidade na minha língua? Ou não poderia o meu paladar distinguir coisas iníquas?

Jó 6:1-30

2 Samuel 24

 ¹ E a ira do Senhor se tornou a acender contra Israel; e incitou a Davi contra eles, dizendo: Vai, numera a Israel e a Judá. ² Disse, pois,...