Salmo 53: A Loucura da Impiedade e a Esperança de Sião

 O Salmo 53 é quase idêntico ao Salmo 14, com apenas algumas variações pequenas, notavelmente a substituição do nome de Deus ("Senhor" ou Yahweh no Salmo 14) pelo termo mais genérico "Deus" (Elohim no Salmo 53). Ele é um Salmo de sabedoria que diagnostica a raiz de toda a maldade humana: a negação da existência e do governo de Deus.


O Salmo 53 Completo (Versão Almeida Revista e Corrigida - ARC)

Ao mestre de canto. Para a maneira de Maalate. Masquil de Davi.

1 Disse o néscio no seu coração: Não há Deus. Têm-se corrompido e têm cometido abominável iniquidade; não há quem faça o bem.

2 Deus olhou desde os céus para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento e buscasse a Deus.

3 Desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não há sequer um.

4 Não terão conhecimento os que praticam a iniquidade, que comem o meu povo como se comessem pão? Não invocam a Deus.

5 Ali, se assombraram grandemente, onde não havia susto, porque Deus espalhou os ossos daquele que te cercava; tu os confundiste, porquanto Deus os rejeitou.

6 Oh! Se de Sião viesse já a salvação de Israel! Quando Deus fizer voltar o cativeiro do seu povo, se regozijará Jacó e se alegrará Israel.


🧠 Uma Análise do Salmo 53: O Diagnóstico da Loucura Humana

O Salmo 53 apresenta uma visão sombria da natureza humana sem Deus, mas termina com um grito de esperança na intervenção divina.

I. A Raiz da Iniquidade: A Negação de Deus (Versículos 1-3)

O Salmo começa com a declaração do "néscio" (o tolo moral, não intelectual), que é a causa de toda a corrupção.

  • A Loucura: A grande loucura é o ateísmo prático: "Não há Deus." Não importa o que a boca professe, o coração vive como se Deus não existisse ou não Se importasse.

  • A Consequência: A ausência de Deus leva à corrupção e à abominável iniquidade. O resultado é o mal generalizado: "não há quem faça o bem."

  • A Investigação Divina: Deus, o observador supremo, olha do céu e conclui que "todos se desviaram" e se tornaram "imundos". O veredicto é severo: "não há sequer um" que busque a Deus.

II. O Comportamento dos Ímpios e o Pavor Súbito (Versículos 4-5)

O Salmista descreve o comportamento opressor daqueles que vivem sem Deus.

  • Opressão: Os que praticam a iniquidade demonstram uma crueldade intensa, pois "comem o meu povo como se comessem pão" — ou seja, exploram e destroem o povo de Deus sem remorso ou escrúpulos, com a mesma naturalidade de quem se alimenta. A evidência de sua falta de entendimento é que "Não invocam a Deus."

  • O Pavor Inesperado: A ironia divina se manifesta: "Ali, se assombraram grandemente, onde não havia susto." Os opressores, que se sentiam seguros, de repente são tomados por um terror avassalador. Este medo repentino vem porque Deus interveio e "espalhou os ossos" dos seus inimigos. Deus os rejeitou, e por isso foram derrotados.

III. O Clamor pela Salvação (Versículo 6)

O Salmo conclui com uma oração fervente e esperançosa.

  • A Esperança de Sião: O foco se volta para a salvação que deve vir do monte Sião (Jerusalém, o centro da ação divina na Terra).

  • A Restauração: O Salmista anseia pela intervenção de Deus que fará "voltar o cativeiro do seu povo" (restaurar a sorte do Seu povo).

  • A Recompensa: Quando isso acontecer, a alegria será total: "se regozijará Jacó e se alegrará Israel." A libertação da opressão e a manifestação da salvação de Deus trarão júbilo e festa a toda a comunidade de fé.


O Salmo 53 lembra que o ateísmo, a recusa em reconhecer a Deus, é a raiz de toda a injustiça e opressão. A única esperança para o mundo e para o povo de Deus reside na intervenção salvadora e justa do próprio Deus.

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