Salmo 46
Ao mestre de canto. Dos filhos de Corá. Cântico sobre Alamote.
1 Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia.
2 Pelo que não temeremos, ainda que a terra se mude, e ainda que os montes se transportem para o meio dos mares.
3 Ainda que as suas águas bramem e se perturbem, ainda que os montes se abalem pela sua braveza. (Selá)
4 Há um rio cujas correntes alegram a cidade de Deus, o santuário das moradas do Altíssimo.
5 Deus está no meio dela; não será abalada; Deus a ajudará ao que romper da manhã.
6 As nações se embraveceram, os reinos se abalaram; ele levantou a sua voz, e a terra se derreteu.
7 O Senhor dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio. (Selá)
8 Vinde, contemplai as obras do Senhor, que desolações tem feito na terra!
9 Ele faz cessar as guerras até ao fim da terra; quebra o arco e corta a lança; queima os carros no fogo.
10 Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus; serei exaltado entre os gentios; serei exaltado sobre a
11 O Senhor dos Exércitos está conosco; o Deus de Ja
📖 Uma Análise do Salmo 46: A Âncora em Meio à Tempestade
O Salmo 46, atribuído aos filhos de Corá, é um dos mais potentes e conhecidos Salmos de confiança da Bíblia, sendo a inspiração para o famoso hino de Martinho Lutero, "Castelo Forte é o Nosso Deus". Ele se divide em três estrofes principais, cada uma selada pelo termo musical ou meditativo "Selá".
🌊 I. O Fundamento Inabalável (Versículos 1-3)
A primeira estrofe estabelece o tema central: a segurança de Deus. A abertura é uma declaração de fé incondicional: Deus é nosso Refúgio e Fortaleza. A imagem é de um abrigo perfeito contra o ataque inimigo e contra as catástrofes naturais. O Salmista usa a hipérbole (exagero poético) para descrever o cenário mais caótico possível: a Terra se desfazendo e os montes caindo no mar. No entanto, o crente é desafiado a não temer, pois o socorro de Deus é "bem presente", imediato e disponível.
🕊️ II. Paz na Cidade de Deus (Versículos 4-7)
Em contraste com a agitação do mundo, a segunda estrofe descreve a paz que emana da presença divina. A "cidade de Deus" é agraciada por um "rio" tranquilo, símbolo de vida, paz e alegria que flui diretamente de Deus.
O Salmo afirma que, mesmo quando as nações "bramam" e os reinos se revoltam (guerra e conflito político), a cidade de Deus "não será abalada". Por quê? Porque Deus está no meio dela. Sua palavra é suficiente para acalmar todo o tumulto global: ele levanta a voz e a Terra se "derrete" (se submete). O refrão potente "O Senhor dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio" serve como uma declaração de vitória e confiança.
⚔️ III. O Convite à Contemplação (Versículos 8-11)
A seção final convida o leitor a "contemplar" as ações de Deus na história. Suas obras não são apenas a criação, mas também a intervenção na justiça e na paz. Ele é o Deus que "faz cessar as guerras", destruindo todo o armamento militar (arco, lança, carros).
O clímax é o mandamento divino: "Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus." Esta não é apenas uma ordem para ficar quieto, mas para parar de lutar com as próprias forças, descansar da ansiedade e reconhecer a soberania absoluta de Deus. Ele será exaltado sobre toda a Terra, e essa verdade é o maior consolo e segurança para o seu povo. O Salmo termina repetindo o refrão de segurança, reforçando a ideia de que a proteção está na presença do Senhor dos Exércitos.
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