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sexta-feira, 8 de maio de 2026

Jó 42

 ¹ Então respondeu Jó ao Senhor, dizendo:
² Bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido.
³ Quem é este, que sem conhecimento encobre o conselho? Por isso relatei o que não entendia; coisas que para mim eram inescrutáveis, e que eu não entendia.
⁴ Escuta-me, pois, e eu falarei; eu te perguntarei, e tu me ensinarás.
⁵ Com o ouvir dos meus ouvidos ouvi, mas agora te veem os meus olhos.
⁶ Por isso me abomino e me arrependo no pó e na cinza.
⁷ Sucedeu que, acabando o Senhor de falar a Jó aquelas palavras, o Senhor disse a Elifaz, o temanita: A minha ira se acendeu contra ti, e contra os teus dois amigos, porque não falastes de mim o que era reto, como o meu servo Jó.
⁸ Tomai, pois, sete bezerros e sete carneiros, e ide ao meu servo Jó, e oferecei holocaustos por vós, e o meu servo Jó orará por vós; porque deveras a ele aceitarei, para que eu não vos trate conforme a vossa loucura; porque vós não falastes de mim o que era reto como o meu servo Jó.
⁹ Então foram Elifaz, o temanita, e Bildade, o suíta, e Zofar, o naamatita, e fizeram como o Senhor lhes dissera; e o Senhor aceitou a face de Jó.
¹⁰ E o Senhor virou o cativeiro de Jó, quando orava pelos seus amigos; e o Senhor acrescentou, em dobro, a tudo quanto Jó antes possuía.
¹¹ Então vieram a ele todos os seus irmãos, e todas as suas irmãs, e todos quantos dantes o conheceram, e comeram com ele pão em sua casa, e se condoeram dele, e o consolaram acerca de todo o mal que o Senhor lhe havia enviado; e cada um deles lhe deu uma peça de dinheiro, e um pendente de ouro.
¹² E assim abençoou o Senhor o último estado de Jó, mais do que o primeiro; pois teve catorze mil ovelhas, e seis mil camelos, e mil juntas de bois, e mil jumentas.
¹³ Também teve sete filhos e três filhas.
¹⁴ E chamou o nome da primeira Jemima, e o nome da segunda Quezia, e o nome da terceira Quéren-Hapuque.
¹⁵ E em toda a terra não se acharam mulheres tão formosas como as filhas de Jó; e seu pai lhes deu herança entre seus irmãos.
¹⁶ E depois disto viveu Jó cento e quarenta anos; e viu a seus filhos, e aos filhos de seus filhos, até à quarta geração.
¹⁷ Então morreu Jó, velho e farto de dias.

Jó 42:1-17

Jó 41

 ¹ Poderás tirar com anzol o leviatã, ou ligarás a sua língua com uma corda?
² Podes pôr um anzol no seu nariz, ou com um gancho furar a sua queixada?
³ Porventura multiplicará as súplicas para contigo, ou brandamente falará?
⁴ Fará ele aliança contigo, ou o tomarás tu por servo para sempre?
⁵ Brincarás com ele, como se fora um passarinho, ou o prenderás para tuas meninas?
⁶ Os teus companheiros farão dele um banquete, ou o repartirão entre os negociantes?
⁷ Encherás a sua pele de ganchos, ou a sua cabeça com arpões de pescadores?
⁸ Põe a tua mão sobre ele, lembra-te da peleja, e nunca mais tal intentarás.
⁹ Eis que é vã a esperança de apanhá-lo; pois não será o homem derrubado só ao vê-lo?
¹⁰ Ninguém há tão atrevido, que a despertá-lo se atreva; quem, pois, é aquele que ousa erguer-se diante de mim?
¹¹ Quem primeiro me deu, para que eu haja de retribuir-lhe? Pois o que está debaixo de todos os céus é meu.
¹² Não me calarei a respeito dos seus membros, nem da sua grande força, nem a graça da sua compostura.
¹³ Quem descobrirá a face da sua roupa? Quem entrará na sua couraça dobrada?
¹⁴ Quem abrirá as portas do seu rosto? Pois ao redor dos seus dentes está o terror.
¹⁵ As suas fortes escamas são o seu orgulho, cada uma fechada como com selo apertado.
¹⁶ Uma à outra se chega tão perto, que nem o ar passa por entre elas.
¹⁷ Umas às outras se ligam; tanto aderem entre si, que não se podem separar.
¹⁸ Cada um dos seus espirros faz resplandecer a luz, e os seus olhos são como as pálpebras da alva.
¹⁹ Da sua boca saem tochas; faíscas de fogo saltam dela.
²⁰ Das suas narinas procede fumaça, como de uma panela fervente, ou de uma grande caldeira.
²¹ O seu hálito faz incender os carvões; e da sua boca sai chama.
²² No seu pescoço reside a força; diante dele até a tristeza salta de prazer.
²³ Os músculos da sua carne estão pegados entre si; cada um está firme nele, e nenhum se move.
²⁴ O seu coração é firme como uma pedra e firme como a mó de baixo.
²⁵ Levantando-se ele, tremem os valentes; em razão dos seus abalos se purificam.
²⁶ Se alguém lhe tocar com a espada, essa não poderá penetrar, nem lança, dardo ou flecha.
²⁷ Ele considera o ferro como palha, e o cobre como pau podre.
²⁸ A seta o não fará fugir; as pedras das fundas se lhe tornam em restolho.
²⁹ As pedras atiradas são para ele como arestas, e ri-se do brandir da lança;
³⁰ Debaixo de si tem conchas pontiagudas; estende-se sobre coisas pontiagudas como na lama.
³¹ As profundezas faz ferver, como uma panela; torna o mar como uma vasilha de unguento.
³² Após si deixa uma vereda luminosa; parece o abismo tornado em brancura de cabelos.
³³ Na terra não há coisa que se lhe possa comparar, pois foi feito para estar sem pavor.
³⁴ Ele vê tudo que é alto; é rei sobre todos os filhos da soberba.

Jó 41:1-34

Jó 40

 ¹ Respondeu mais o Senhor a Jó, dizendo:
² Porventura o contender contra o Todo-Poderoso é sabedoria? Quem repreende assim a Deus, responda por isso.
³ Então Jó respondeu ao Senhor, dizendo:
⁴ Eis que sou vil; que te responderia eu? A minha mão ponho à boca.
⁵ Uma vez tenho falado, e não replicarei; ou ainda duas vezes, porém não prosseguirei.
⁶ Então o Senhor respondeu a Jó de um redemoinho, dizendo:
⁷ Cinge agora os teus lombos como homem; eu te perguntarei, e tu me explicarás.
⁸ Porventura também tornarás tu vão o meu juízo, ou tu me condenarás, para te justificares?
⁹ Ou tens braço como Deus, ou podes trovejar com voz como ele o faz?
¹⁰ Orna-te, pois, de excelência e alteza; e veste-te de majestade e de glória.
¹¹ Derrama os furores da tua ira, e atenta para todo o soberbo, e abate-o.
¹² Olha para todo o soberbo, e humilha-o, e atropela os ímpios no seu lugar.
¹³ Esconde-os juntamente no pó; ata-lhes os rostos em oculto.
¹⁴ Então também eu a ti confessarei que a tua mão direita te poderá salvar.
¹⁵ Contemplas agora o beemote, que eu fiz contigo, que come a erva como o boi.
¹⁶ Eis que a sua força está nos seus lombos, e o seu poder nos músculos do seu ventre.
¹⁷ Quando quer, move a sua cauda como cedro; os nervos das suas coxas estão entretecidos.
¹⁸ Os seus ossos são como tubos de bronze; a sua ossada é como barras de ferro.
¹⁹ Ele é obra-prima dos caminhos de Deus; o que o fez o proveu da sua espada.
²⁰ Em verdade os montes lhe produzem pastos, onde todos os animais do campo folgam.
²¹ Deita-se debaixo das árvores sombrias, no esconderijo das canas e da lama.
²² As árvores sombrias o cobrem, com sua sombra; os salgueiros do ribeiro o cercam.
²³ Eis que um rio transborda, e ele não se apressa, confiando ainda que o Jordão se levante até à sua boca.
²⁴ Podê-lo-iam porventura caçar à vista de seus olhos, ou com laços lhe furar o nariz?

Jó 40:1-24

Jó 39

 ¹ Sabes tu o tempo em que as cabras montesas têm filhos, ou observastes as cervas quando dão suas crias?
² Contarás os meses que cumprem, ou sabes o tempo do seu parto?
³ Quando se encurvam, produzem seus filhos, e lançam de si as suas dores.
⁴ Seus filhos enrijam, crescem com o trigo; saem, e nunca mais tornam para elas.
⁵ Quem despediu livre o jumento montês, e quem soltou as prisões ao jumento bravo,
⁶ Ao qual dei o ermo por casa, e a terra salgada por morada?
⁷ Ri-se do ruído da cidade; não ouve os muitos gritos do condutor.
⁸ A região montanhosa é o seu pasto, e anda buscando tudo que está verde.
⁹ Ou, querer-te-á servir o boi selvagem? Ou ficará no teu curral?
¹⁰ Ou com corda amarrarás, no arado, ao boi selvagem? Ou escavará ele os vales após ti?
¹¹ Ou confiarás nele, por ser grande a sua força, ou deixarás a seu cargo o teu trabalho?
¹² Ou fiarás dele que te torne o que semeaste e o recolha na tua eira?
¹³ A avestruz bate alegremente as suas asas, porém, são benignas as suas asas e penas?
¹⁴ Ela deixa os seus ovos na terra, e os aquenta no pó,
¹⁵ E se esquece de que algum pé os pode pisar, ou que os animais do campo os podem calcar.
¹⁶ Endurece-se para com seus filhos, como se não fossem seus; em vão é seu trabalho, mas ela está sem temor,
¹⁷ Porque Deus a privou de sabedoria, e não lhe deu entendimento.
¹⁸ A seu tempo se levanta ao alto; ri-se do cavalo, e do que vai montado nele.
¹⁹ Ou darás tu força ao cavalo, ou revestirás o seu pescoço com crinas?
²⁰ Ou espantá-lo-ás, como ao gafanhoto? Terrível é o fogoso respirar das suas ventas.
²¹ Escarva a terra, e folga na sua força, e sai ao encontro dos armados.
²² Ri-se do temor, e não se espanta, e não torna atrás por causa da espada.
²³ Contra ele rangem a aljava, o ferro flamante da lança e do dardo.
²⁴ Agitando-se e indignando-se, serve a terra, e não faz caso do som da trombeta.
²⁵ Ao soar das trombetas diz: Eia! E cheira de longe a guerra, e o trovão dos capitães, e o alarido.
²⁶ Ou voa o gavião pela tua inteligência, e estende as suas asas para o sul?
²⁷ Ou se remonta a águia ao teu mandado, e põe no alto o seu ninho?
²⁸ Nas penhas mora e habita; no cume das penhas, e nos lugares seguros.
²⁹ Dali descobre a presa; seus olhos a avistam de longe.
³⁰ E seus filhos chupam o sangue, e onde há mortos, ali está ela.

Jó 39:1-30

Jó 38

 ¹ Depois disto o Senhor respondeu a Jó de um redemoinho, dizendo:
² Quem é este que escurece o conselho com palavras sem conhecimento?
³ Agora cinge os teus lombos, como homem; e perguntar-te-ei, e tu me ensinarás.
⁴ Onde estavas tu, quando eu fundava a terra? Faze-mo saber, se tens inteligência.
⁵ Quem lhe pôs as medidas, se é que o sabes? Ou quem estendeu sobre ela o cordel?
⁶ Sobre que estão fundadas as suas bases, ou quem assentou a sua pedra de esquina,
⁷ Quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus jubilavam?
⁸ Ou quem encerrou o mar com portas, quando este rompeu e saiu da madre;
⁹ Quando eu pus as nuvens por sua vestidura, e a escuridão por faixa?
¹⁰ Quando eu lhe tracei limites, e lhe pus portas e ferrolhos,
¹¹ E disse: Até aqui virás, e não mais adiante, e aqui se parará o orgulho das tuas ondas?
¹² Ou desde os teus dias deste ordem à madrugada, ou mostraste à alva o seu lugar;
¹³ Para que pegasse nas extremidades da terra, e os ímpios fossem sacudidos dela;
¹⁴ E se transformasse como o barro sob o selo, e se pusessem como vestidos;
¹⁵ E dos ímpios se desvie a sua luz, e o braço altivo se quebrante;
¹⁶ Ou entraste tu até às origens do mar, ou passeaste no mais profundo do abismo?
¹⁷ Ou descobriram-se-te as portas da morte, ou viste as portas da sombra da morte?
¹⁸ Ou com o teu entendimento chegaste às larguras da terra? Faze-mo saber, se sabes tudo isto.
¹⁹ Onde está o caminho onde mora a luz? E, quanto às trevas, onde está o seu lugar;
²⁰ Para que as tragas aos seus limites, e para que saibas as veredas da sua casa?
²¹ Decerto tu o sabes, porque já então eras nascido, e por ser grande o número dos teus dias!
²² Ou entraste tu até aos tesouros da neve, e viste os tesouros da saraiva,
²³ Que eu retenho até ao tempo da angústia, até ao dia da peleja e da guerra?
²⁴ Onde está o caminho em que se reparte a luz, e se espalha o vento oriental sobre a terra?
²⁵ Quem abriu para a inundação um leito, e um caminho para os relâmpagos dos trovões,
²⁶ Para chover sobre a terra, onde não há ninguém, e no deserto, em que não há homem;
²⁷ Para fartar a terra deserta e assolada, e para fazer crescer os renovos da erva?
²⁸ A chuva porventura tem pai? Ou quem gerou as gotas do orvalho?
²⁹ De que ventre procedeu o gelo? E quem gerou a geada do céu?
³⁰ Como debaixo de pedra as águas se endurecem, e a superfície do abismo se congela.
³¹ Ou poderás tu ajuntar as delícias do Sete-Estrelo ou soltar os cordéis do Órion?
³² Ou produzir as constelações a seu tempo, e guiar a Ursa com seus filhos?
³³ Sabes tu as ordenanças dos céus, ou podes estabelecer o domínio deles sobre a terra?
³⁴ Ou podes levantar a tua voz até às nuvens, para que a abundância das águas te cubra?
³⁵ Ou mandarás aos raios para que saiam, e te digam: Eis-nos aqui?
³⁶ Quem pôs a sabedoria no íntimo, ou quem deu à mente o entendimento?
³⁷ Quem numerará as nuvens com sabedoria? Ou os odres dos céus, quem os esvaziará,
³⁸ Quando se funde o pó numa massa, e se apegam os torrões uns aos outros?
³⁹ Porventura caçarás tu presa para a leoa, ou saciarás a fome dos filhos dos leões,
⁴⁰ Quando se agacham nos covis, e estão à espreita nas covas?
⁴¹ Quem prepara aos corvos o seu alimento, quando os seus filhotes gritam a Deus e andam vagueando, por não terem o que comer?

Jó 38:1-41

Jó 37

 ¹ Sobre isto também treme o meu coração, e salta do seu lugar.
² Atentamente ouvi a indignação da sua voz, e o sonido que sai da sua boca.
³ Ele o envia por debaixo de todos os céus, e a sua luz até aos confins da terra.
⁴ Depois disto ruge uma voz; ele troveja com a sua voz majestosa; e ele não os detém quando a sua voz é ouvida.
⁵ Com a sua voz troveja Deus maravilhosamente; faz grandes coisas, que nós não podemos compreender.
⁶ Porque à neve diz: Cai sobre a terra; como também à garoa e à sua forte chuva.
⁷ Ele sela as mãos de todo o homem, para que conheçam todos os homens a sua obra.
⁸ E as feras entram nos seus esconderijos e ficam nas suas cavernas.
⁹ Da recâmara do sul sai o tufão, e do norte o frio.
¹⁰ Pelo sopro de Deus se dá a geada, e as largas águas se congelam.
¹¹ Também de umidade carrega as grossas nuvens, e espalha as nuvens com a sua luz.
¹² Então elas, segundo o seu prudente conselho, se espalham em redor, para que façam tudo quanto lhes ordena sobre a superfície do mundo na terra.
¹³ Seja que por vara, ou para a sua terra, ou por misericórdia as faz vir.
¹⁴ A isto, ó Jó, inclina os teus ouvidos; para, e considera as maravilhas de Deus.
¹⁵ Porventura sabes tu como Deus as opera, e faz resplandecer a luz da sua nuvem?
¹⁶ Tens tu notícia do equilíbrio das grossas nuvens e das maravilhas daquele que é perfeito nos conhecimentos?
¹⁷ Ou de como as tuas roupas aquecem, quando do sul há calma sobre a terra?
¹⁸ Ou estendeste com ele os céus, que estão firmes como espelho fundido?
¹⁹ Ensina-nos o que lhe diremos: porque nós nada poderemos pôr em boa ordem, por causa das trevas.
²⁰ Contar-lhe-ia alguém o que tenho falado? Ou desejaria um homem que ele fosse devorado?
²¹ E agora não se pode olhar para o sol, que resplandece nas nuvens, quando o vento, tendo passado, o deixa limpo.
²² O esplendor de ouro vem do norte; pois, em Deus há uma tremenda majestade.
²³ Ao Todo-Poderoso não podemos alcançar; grande é em poder; porém a ninguém oprime em juízo e grandeza de justiça.
²⁴ Por isso o temem os homens; ele não respeita os que se julgam sábios de coração.

Jó 37:1-24

2 Samuel 24

 ¹ E a ira do Senhor se tornou a acender contra Israel; e incitou a Davi contra eles, dizendo: Vai, numera a Israel e a Judá. ² Disse, pois,...